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terça-feira, 30 de agosto de 2016

COMO SE FAZ UM ESCRITOR (2)

Depois de uma primeira entrevista publicada, aqui está a segunda, desta vez ao escritor Fernando Esteves Pinto. Deixo para mais tarde uma apreciação global.
Luís Ene

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- Quanto começaste a interessar-te pela literatura, a ler e a escrever? Como se desenvolveu essa relação ao longo dos anos?

R: Comecei a interessar-me por literatura quando descobri que viviam pessoas dentro dos livros. Depois percebi que eram pessoas bem interessantes, a começar pelos autores dos livros que fui descobrindo e lendo. E deixei-me contagiar através da leitura ao ponto de querer também escrever: criar outras identidades, construir outro mundo, embora ficcional, mas com pessoas reais. E fui fazendo «amizade» com autores, naturalmente, sem indicação de ninguém, frequentando bibliotecas (não havia livros em casa). Parece que tive muita sorte: olhando para trás, tendo em conta as primeiras leituras que fiz, o percurso foi perfeito e um autor levou-me a outro, num convívio muito feliz com o mundo dos livros.

- Quando decidiste que eras ou querias ser escritor?

R: Não decidi. Senti necessidade de escrever. Eu vivia num ambiente familiar que de tão real também parecia uma ficção. Só para dar uma ideia: senti-me escritor quando ditei uma informação para um jornal sobre uma pequena tragédia na qual os meus pais quase perderam a vida. Tinha nove anos, e a informação que prestei à polícia saiu exactamente como eu a testemunhei.

- O que te atrai na escrita literária?

R: Atrai-me o estilo, a maneira como as coisas são sentidas, pensadas e escritas. Sou atraído para a escrita quando um autor deixa pontas soltas nas suas reflexões. Atrai-me a filosofia, a psicologia e a humanidade.

- Que referências literárias, autores e livros, te ocorrem?

R: Tive algumas referências literárias que a seu tempo foram decisivas na minha formação como escritor. Não as esqueço nunca. Vergílio Ferreira é uma delas. Mas também Philip Roth. E tantos outros, embora alguns só tenham sido importantes nalguns aspectos das suas obras. E, claro, haver referências só por si não significa que estejamos ligados eternamente a esses autores e aos seus livros. A obra literária é uma ferramenta. Depois temos de ser nós a saber trabalhar com ela e criar outras formas de pensar/escrever os outros.
- O que esperas e/ou não esperas da literatura?

R: Pessoalmente, não espero nada. Os meus livros, sim, esperam mais do que eu: esperam ser lidos por leitores interessados e exigentes. No fundo, eu tenho uma missão: escrever.

- Que consolação obténs com a escrita e a leitura?

R: A minha maior consolação com a escrita é sentir que o tempo é uma folha em branco, passa por mim enquanto penso e escrevo e deixa uma marca minha, uma impressão da minha identidade dirigida também aos outros. Quanto à leitura, espanto-me positivamente com alguns livros, raros, mas livros extraordinários. De resto, a leitura para mim é um «trabalho». Leio um livro com a atenção dum arquitecto que molda a natureza de acordo com as formas que lhe quer impor ou enquadrar. Portanto, quando leio estou sempre atento à construção, à forma, à interioridade, em suma: nem sei se «leio» o livro que estou a ler ou se estou a «escrever» uma nova leitura.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

DESCUBRA AS SEMELHANÇAS!

Adília César teve a ideia de emparceirar fotografias de escritores (algarvios) com fotografias de outros escritores e a prática até está a a ter seguidores.
Divirtam-se com este "jogo", identificando desde logo os escritores em causa. Deixem os vossos palpites e opiniões na caixa de comentários! Dica: Os escritores "algarvios" são os primeiros do par.

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(criado por Adriana Nogueira)



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(criado por Luís Nogueira)




segunda-feira, 8 de agosto de 2016

COMO SE FAZ UM ESCRITOR?

O gosto pelas entrevistas/inquéritos não é novo em mim e desta vez resolvi colocar seis perguntas iguais a alguns escritores. São assim perguntas genéricas que, como me respondeu um dos entrevistados/inquiridos, são afinal a mesma pergunta ou, pelo menos, várias faces da mesma pergunta, que talvez seja "Como se faz um escritor?".
 
Mais do que as diferenças, procuro as semelhanças; mais do que aquilo que os separa procuro o que os une. É um caminho que ainda agora comecei a trilhar e que não sei onde me levará.
 
Numa primeira fase enviei essas mesmas perguntas a meia-dúzia de amigos e dei-lhes um prazo que ainda não acabou. O Luís Nunes Alberto Nunes foi o primeiro a responder e decidi desde já publicar as suas respostas.
 
Se alguém quiser responder às perguntas e enviar-me as respostas, muito agradeço. Numa segunda fase eu mesmo as enviarei a mais escritores.
 
 
Luís Ene


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SEIS PERGUNTAS RESPONDIDAS POR LUÍS NUNES ALBERTO


- Quanto começaste a interessar-te pela literatura, a ler e a escrever? Como se desenvolveu essa relação ao longo dos anos?

A minha descoberta da literatura foi a minha descoberta do mundo porque aprendi o francês a ler livros e portanto foi uma aprendizagem conjunta, simultânea.
Comecei também nessa altura a escrever num pequeno jornal que fazíamos na escola primaria em 1965.
Fui eu que fiz a linogravura da capa e no interior tinha um ou dois textos meus.
Ao longo dos anos houve períodos longos de total vazio e alguns de escrita intensa sem nenhum  significado particular.


- Quando decidiste que eras ou querias ser escritor?

Nunca decidi, não sou escritor.
Sou essencialmente um pensador e por vezes escrevo os meus pensamentos para que se não percam completamente.


- O que te atrai na escrita literária?

A possibilidade de fazer passar para o mundo alguns dos meus pensamentos.
 

- Que referências literárias, autores e livros, te ocorrem?

O primeiro livro que li, Ivanohe de Walter Scott. Jules Verne, Dostoievski, Victor Hugo, Henri Miller, Jacques Prevert, Fernando Pessoa, Herbert Heinlein,  Luisa Monteiro, Saramago, Lidia Jorge,


- O que esperas e/ou não esperas da literatura?

Não espero nada da literatura. Sei que ela vai continuar a construir o mundo para nós e sobretudo para as gerações vindouras. Penso que é particularmente inútil emitir qualquer opinião sobre os modos como essa construção se está a fazer.

 
- Que consolação obténs com a escrita e a leitura?

A consolação consiste na satisfação da aprendizagem continua, mesmo que negativa por vezes, quer pela leitura quer pela escrita.

 

PROTAGONISTAS

Existe ou não um estado actual de excitação poético-literária  (uma "movida") no Algarve (Sotavento Algarvio)?
Creio que sim, sem dúvida! 
Em baixo, na foto, da esquerda para a direita, alguns desses protagonistas!
Pedro Jubilot, Vitor Cardeira, Uberto Stabile, Adão Contreiras, Paulo Afonso Ramos,  e Fernando Esteves Pinto.


quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Telegramas do Mediterrâneo

Termino a leitura de Telegramas do Mediterrâneo, de Pedro Jubilot e logo recomeço, agora com a ajuda do google, procurando trazer à tona as várias referências a diversos músicos, escritores e artistas, assim como de diversos locais. Estes telegramas, que se poderiam chamar Postais (na linha dos anteriores Postais da Ria Formosa), são mesmo assim sucintos, deixando ao leitor a liberdade de os classificar (e ler) como poemas (em prosa), como notas de viagem (imaginárias ou reais) ou até, no seu conjunto, como um livro de viagens ou um roteiro cultural. A riqueza deste livro não escapará a uma leitura ligeira e pede sem dúvida novas leituras. É o que vou fazer! Façam vocês também.





sexta-feira, 29 de julho de 2016

ESCRITORES REUNIDOS

Na Feira do Livro de Faro, no stand do grupo ESCRITORES REUNIDOS, sessões de autógrafos com:
23/7, sáb. – Amável Louro
24/7, dom. – Helena Almeida
25/7, 2ª – Luís Campião
26/7, 3ª – Patrícia De Jesus Palma
27/7, 4ª – Pedro Oliveira Tavares e João Miguel Pereira
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29/7, 6ª – Paulo Moreira e Fernando Cabrita
30/7, sáb. – Luís Luis Alexandre
1/8, 2ª – Fernando Évora e Napoleão Mira
2/8, 3ª – Fernando Guerreiro
3/8, 4ª – Ana Francisco e Carla Sabino
5/8, 6ª – Hélio Pereira
6/8, sáb. – Fernando Silva Grade






terça-feira, 26 de julho de 2016

ASSESTA Associação de Escritores do Alentejo

 
Fernando Évora e Fernando Guerreiro
 
 
Pois é, o Alentejo tem uma associação de escritores. Pensada em meados de 2013 e constituída em setembro de 2015 (3 de setembro – Castro Verde), na sua génese estiveram 15 escritores naturais do Alentejo ou com fortes vínculos à região empenhados em promover a literatura nas terras desafogadas de além Tejo. A ASSESTA, assim se chama a associação está aí e está ativa. Por estes dias dois dos seus escritores fundadores, Fernando Évora e Fernando Guerreiro, estarão presentes na feira do livro de Faro no stand dos Escritores Reunidos. A ver se falo melhor com eles sobre isto e aqui dou notícia.
 
 
 
 

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Barlavento, terceira crónica


DA minha janela vê-se o Algarve

Luís Ene

[publicado em 21/07/2016]

 

Oh meu Algarve

 

Oh meu ardente Algarve impressionista e mole, canta João Lúcio, com palavras que muitos conhecerão de cor, no seu poema O Meu Algarve, de 1905. O Algarve visto pelo poeta é um Algarve belo, um Algarve vibrante, um Algarve em que os seus contemporâneos se teriam certamente revisto (ou admirado) mas que hoje (quase) já não existe.

Numa altura em que se discute o petróleo no Algarve e em que parece renascer a discussão sobre o impacto ambiental do turismo na região, as palavras de João Lúcio já não nos servem, a não ser pela sua beleza intrínseca, porque pouco se vê nelas do Algarve de hoje.

Os tempos mudam, é verdade, porém, para nossa felicidade, arrisco-me a dizer que existem escritores (e aqui incluo os poetas) que continuam a olhar o mundo (e o Algarve) e a abrir-nos os olhos. A verdade é que Portugal sempre foi um tema privilegiado dos escritores portugueses, como facilmente concluímos quando olhamos a literatura portuguesa. Se os portugueses (nós todos) os temos escutado essa é outra história, como se costuma dizer.

João Bentes, nascido na ilha de Faro, recupera um século  depois o verso de João Lúcio, e diz (acusa) por exemplo, “oh meu algarve impressionista e trágico”. O Algarve, ainda impressionista, já não é agora mole, mas trágico. O tom adivinha-se outro e é realmente outro; o Algarve (ou o algarve) que este outro João nos dá a ver é outro Algarve e vale a pena o confronto com essa visão que nos escancara os olhos para uma nova realidade que teimamos em ignorar. Mas felizmente o poema está aí para ser lido com olhos de ver.

De um texto de Henrique Manuel Bento Fialho sobre o livro que contém o poema, reproduzo um pequeno excerto que não dispensa a leitura do todo: “Distante da comunidade lisboeta, (João Bentes) coloca no centro das suas atenções a paisagem algarvia. É muito pertinente esta opção, não só pela ligação às origens geográficas, mas por poder ser hoje o Allgarve um símbolo da degenerescência portuguesa que nos trouxe ao estado de histeria nacional em que vamos andando, paradoxalmente, cada vez mais conformados com a miséria alheia.”

Gostaria de reproduzir aqui todo o poema, mas não o farei, não só porque não pedi autorização ao poeta, mas sobretudo porque gostava, caro leitor, que o procurasses e o lesses com a atenção que merece.  O livro chama-se Odes e foi publicado por uma editora algarvia, a 4 águas, em 2012. Deixo aqui, a terminar, uma das suas estrofes, a inicial, porque o poema é tão bom que hesito escolher uma.

 

oh meu algarve cimentado em prol

da luxúria verde dos “resorts”

deu-te deus um mar azul e tépido

onde lavas a cara à sombra das concessões

nos três meses que te salvam da fome

 

Convido-te pois, caro leitor, a olhares para o Algarve (ou algarve) com os olhos do poema. E até à próxima.

Blogues, livros e escritores

Aqui se fala de livros e de escritores e por isso é natural apontar para quem fale de livros e de escritores, como acontece em dois blogues que irão também para a lista das afinidades. Para lá do mais, os artigos/entradas que nos chamaram a atenção foram Submissão e E a mão começa a andar sozinha: um périplo pelos hábitos de trabalho dos escritores.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

ESCRITORES INVISÍVEIS

Eu sei que há coisas que acontecem por acaso e muitas vezes contra a vontade dos responsáveis mas Shit happens, como se diz em inglês, e quem não se sente não é filho de boa gente. Isto a propósito do programa da feira do livro de Faro em que “Os autores do Algarve que durante todo o ano produzem literatura, encontros, apresentações, leituras, etc... continuam a não ter «ROSTO»”. É verdade, acontece, mas não é bonito. Talvez devamos fundar uma associação de Escritores Invisíveis.

FOLHA DE POESIA

Já algum tempo que ando de olho no blog Folha de Poesia e que o tenho seguido com atenção. A sua última entrada/post interessou-me bastante, por motivos óbvios, ainda que não se passe no Algarve nem nada tenha a ver com esta região, a não ser que tudo tem a ver com tudo desde que haja uma base comum. Mas leiam o artigo divulgado (Joana Gorjão Henriques, Público, 18/07/2016) e opinem, que é para isso que serve a caixa de comentários. Clube dos Poetas Negros é o nome. É o primeiro blog a ir para a lista de blogs/afinidades deste blog. Leiam e digam coisas. Leiam também a própria produção do blog.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Mostruário de Títulos para Poemas

Espreito o novo livro de Adão Contreiras e confesso-me intrigado, curioso, estimulado. Já o título me deixara intrigado e o conteúdo não fica atrás. 
Alguém disse (julgo que foi Pedro Jubilot) que o novo livro de Adão Contreiras promete revolucionar o conceito de escrita de poesia, e percebo porquê. 
O livro abre com um prefácio de Fernando Martins, "A liberdade livre da poesia de Adão Contreiras", para o qual remeto. E por agora fica esta pequena seta a apontar para o novo livro de Adão Contreiras.

Da esquerda para a direita, Vitor Cardeira, Adão Contreiras e Adília César